The lack of boundaries and the impact on mental health
Resumo
A infância constitui uma etapa fundamental do desenvolvimento humano, sendo nesse período que a criança desenvolve habilidades cognitivas, emocionais e sociais essenciais para sua adaptação ao meio e à convivência em sociedade. A família desempenha papel central nesse processo, uma vez que é responsável pela transmissão de valores, regras e comportamentos que auxiliam na construção da autonomia, da responsabilidade e do autocontrole (Piaget, 1994; Vygotsky, 2007). Nesse contexto, o estabelecimento de limites adequados apresenta-se como um importante fator de proteção para o desenvolvimento infantil. Segundo Zagury (2002), os limites possibilitam à criança compreender regras, lidar com frustrações e desenvolver comportamentos socialmente adaptativos. Da mesma forma, Baumrind (1966) destaca que práticas parentais excessivamente permissivas podem favorecer dificuldades comportamentais e de adaptação social. Com isso, a ausência de limites na infância tem sido amplamente discutida devido aos prejuízos que pode ocasionar no desenvolvimento emocional, comportamental e social da criança, além de suas possíveis repercussões na saúde mental. Estudos apontam que contextos familiares marcados pela inconsistência na definição de regras e pela supervisão inadequada podem favorecer dificuldades emocionais e comportamentais na infância (Silva; Sousa, 2025). Dessa forma, compreender os impactos da falta de limites torna-se relevante para a promoção da saúde mental infantil e para o fortalecimento das práticas educativas familiares. Diante disso, a presente pesquisa justifica-se pela necessidade de ampliar a compreensão acerca dos impactos da ausência de limites no desenvolvimento infantil e na saúde mental das crianças. Considerando que infância é um período decisivo para a formação de competências emocionais, sociais e comportamentais, torna-se relevante investigar de que maneira a falta de limites pode influenciar esse processo. Além de contribuir para o avanço do conhecimento científico sobre a temática, o estudo poderá fornecer subsídios para a atuação de psicólogos, familiares e outros profissionais, favorecendo a construção de estratégias de orientação e intervenção que promovam o desenvolvimento saudável e a prevenção de prejuízos emocionais e comportamentais na infância. Assim, este estudo tem como objetivo geral investigar os prejuízos da falta de limites no desenvolvimento emocional e comportamental de crianças e o impacto na saúde mental. Especificamente, busca identificar os principais prejuízos na saúde mental causados pela ausência de limites na infância, compreender a influência da família no estabelecimento de limites durante o desenvolvimento infantil e identificar os impactos comportamentais e sociais relacionados à falta de limites em crianças. Este estudo caracteriza-se como um estudo de caso de abordagem qualitativa, realizado a partir da análise aprofundada de um caso acompanhado no contexto da prática psicológica. A coleta de informações ocorrerá por meio de registros de atendimento, observações clínicas e documentos pertinentes ao acompanhamento psicológico, garantindo sigilo e a preservação da identidade dos participantes. Os dados serão analisados por meio da categorização temática, fundamentada na literatura sobre infância, limites, saúde mental infantil e Terapia Cognitivo-Comportamental (Gil, 2019; Yin, 2015). Espera-se que o estudo possibilite uma melhor compreensão dos impactos da ausência de limites no desenvolvimento emocional, comportamental e social de crianças, bem como suas possíveis repercussões na saúde mental infantil. Além disso, espera-se identificar a influência do contexto familiar no estabelecimento de limites e na formação de comportamentos adaptativos, evidenciando a importância das práticas educativas parentais para o desenvolvimento saudável da criança. Nesse sentido, a pesquisa contribuirá para a ampliação do conhecimento científico sobre a temática, fornecendo subsídios para a atuação de psicólogos, educadores e na orientação de pais, visando a promoção da saúde mental infantil e na prevenção de prejuízos emocionais e comportamentais. Por fim, espera-se que os resultados possam auxiliar na elaboração de estratégias de orientação e intervenção voltadas ao fortalecimento das relações familiares e ao estabelecimento de limites saudáveis durante a infância.
Palavras-chave